Turquia convoca países islâmicos para guerra mundial contra Israel

Países islâmicos teriam disponível arsenal superior a Israel e coalizão reuniria mais de 250 milhões de soldados por terra.

18-03-2018 | Atualizada em 18/03/2018 22:26

Soldados de Israel

Soldados de Israel durante deslocamento.

Durante realização da cúpula da Organização de Cooperação Islâmica (OIC), realizada em Istambul, na Turquia, o jornal turco Yeni Sfak publicou um artigo em que incita países islâmicos para guerra contra Israel. O artigo trazia em seu título a seguinte indagação: “E se um exército do Islã fosse formado contra Israel?”.

O dono do jornal Yeni Sfak, Adnan Tanriverdi, é um general aposentado do exército turco, filiado ao partido governista e muito próximo ao ditador turno Recep Tayyip Erdogan. Além disso, Adnan não esconde seu antissemitismo, fazendo provocações e incitando o ódio contra Israel.

No artigo publicado pelo jornal ele faz uma espécie de convocação para que os 57 Estados membros da OIC formem um “exército conjunto”. O texto sugere que soldados dos países islâmicos do Oriente Médio e do Norte da África se unam para atacar Israel, sugerindo planos de combate e apresentando mapas com dados sobre o poder bélico da provável coalizão.

O editorial do jornal turco usa uma linguagem nacionalista e com apologia a religião islâmica, dando status de “califa” a Erdogan. Em seus argumentos o jornal turco defende que a Turquia teria direito de reviver a “glória perdida” do Império Otomano, que dominou um grande território entre 1299 e 1923.

Na publicação o jornal turco faz criticas a Israel, ao mundo cristão e faz cálculos para determinar como seria possível a derrota militar de Israel em apenas 10 dias de “batalha” e sua derrota diplomática dentro de 20 dias. Surpreendentemente o texto aponta Israel como “uma adaga no coração do islamismo”.

Com estratégias que incluem ataques simultâneos por terra, com 250 milhões de soldados de infantaria, o texto também faz referência ao uso de armas nucleares do Paquistão, único país da OIC que possui este tipo de armamento. O jornal calcula que o potencial bélico da coalizão seria de cinco milhões de soldados.

De acordo com o MENRI (Middle East Media Research Institute), responsável por pesquisas no Oriente Médio, esse tipo de discurso não é apenas retórico, mas uma ameaça real de incitação contra Israel. É preciso lembrar que o jornal Yeni Safak já incitava a invasão de Afrin, na Síria, o que ocorreu no último mês.

As ameaças contra Israel se intensificaram com o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Os turcos consideram a decisão dos Estados Unidos como uma “linha vermelha” que foi cruzada para uma possível guerra contra o Estado de Israel. A Turquia respondeu reconhecendo Jerusalém Oriental como capital da Palestina, desafiando a decisão dos EUA.

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