TSE pretende controlar influência das igrejas nas eleições

Presidente do Tribunal Superior Eleitoral estuda cláusula para impedir o uso do poder econômico e a influência das igrejas no período eleitoral.

09-03-2017 | Atualizada em 09/03/2017 12:45

Ministro Gilmar Mendes

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, afirmou que a Corte eleitoral estuda uma cláusula para bloquear o uso do poder econômico e a influência das igrejas nas eleições.

Para eles, o dinheiro e a influência dos líderes religiosos sobre seus fiéis interferem nos resultados das eleições.

“Depois da proibição das doações empresariais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), hoje quem tem dinheiro? As igrejas. Além do poder de persuasão. O cidadão reúne 100 mil pessoas num lugar e diz ‘meu candidato é esse’. Estamos discutindo para cassar isso”, afirmou o ministro.


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Mendes acredita que as igrejas usam esses poderes para influenciar nas eleições, inclusive as estruturas físicas das instituições religiosas estão sendo utilizadas para esses fins.

“Outra coisa é fazer com que o próprio fiel doe. Ou pegar o dinheiro da igreja para financiar”, disse o presidente da Corte eleitoral que ainda ironizou: “Se disser que agora o caminho para o céu passa pela doação de 100 reais, porque eu não vou para o céu?”

Igrejas e eleições

Gilmar Mendes entende que a influência das igrejas se dá por um possível para abuso de poder econômico de “difícil verificação”. Por isso, enxerga a necessidade de o TSE agir para impedir que isso aconteça.

Ao noticiar o caso, a agência Reuters citou o crescimento da bancada evangélica no Congresso, lembrando que em 1998 eram 47 parlamentares com ligações religiosas, em 2014 foram eleitos 80 deputados federais.

A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso tem mais representantes: 181 deputados e quatro senadores. Entre os parlamentares evangélicos, estão também outros deputados que defendem as pautas mais conservadoras.

O número de religiosos que concorrem às eleições também tem aumentado, em 2016 a quantidade de pastores pleiteando cargos foram 25% maior que a quantidade de 2012. No cenário das eleições para deputados, em 2014, o número foi 47% maior que o número de candidatos com título de pastor em 2010.

O crescimento da população evangélica no Brasil também foi alto nas últimas décadas, Censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) afirmava que 22% dos brasileiros são membros de igrejas evangélicas.

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