Sacerdotes judeus se preparam para entrar no Santo dos Santos

Sacerdotes descendentes de Arão querem estar prontos para entrar no Santo dos Santos quando Terceiro Templo for construído.

02-08-2017 | Atualizada em 02/08/2017 21:32

Sacerdotes judeus.

Sacerdotes durante ensaio em Jerusalém.

Sacerdotes judeus estão se preparando pela primeira vez em 2.000 anos para entrar no Santo dos Santos, lugar restrito a eles segundo o Antigo Testamento, onde se manifestava a presença de Deus.

Os sacerdotes que vivem em Jerusalém iniciaram os preparativos para entrar no Santo dos Santos, mesmo sem o Terceiro Templo, devido a recentes acontecimentos envolvendo judeus e palestinos.

Como não conhecem a exata localização do Santo dos Santos, muitos rabinos proíbem judeus de subirem ao Monte do Templo, temendo desobedecer a Torá. No entanto, a ZAKA, uma organização de “resposta rápida de desastres” de Israel, anunciou que irá mudar sua política após recente ataque terrorista no local, que deixou vários mortos.

A morte de dois policiais e um terrorista no dia 14 de Julho no Monte do Templo levou os sacerdotes a iniciar os preparativos para entrar no Santo dos Santos, pois a presença de três cadáveres no local mais sagrado do judaísmo é considerado como “impureza ritual”.

A tragédia serviu para alertar as autoridades religiosas que um plano de resgate precisava ser feito. Yaakov Hayman, um ativista pela construção do Terceiro Templo disse ao Breaking News que “quando esses árabes fizeram o que fizeram, criaram uma nova situação no terreno. Não estávamos nos preparando para isso, então aconteceu algo que nos obrigou a lidar com isso”.

A nova situação, segundo ele, fez com que fosse retomado o treinamento dos Kohanim, descendentes do sumo-sacerdote Arão, para entrar no Santo dos Santos quando o futuro templo estiver pronto.

Existe uma obrigação religiosa de remover cada corpo morto do Monte do Templo, segundo o conselho ZAKA, liderado pelo rabino Avigdor Nebenzahl, sejam judeus, não-judeus ou até mesmo terroristas, mas em determinadas situações apenas os Kohanim poderiam fazer o trabalho.

O contato com cadáveres torna os Kohanim ritualmente impuros, mas a decisão do conselho dos rabinos é que eles não podem permitir que todo o local fique “contaminado”.

Conforme explica o presidente da Zaka, Yehuda Meshi-Zahav, o treinamento exigirá o avivamento das leis da Torá que já não são usadas há milhares de anos, diferentemente da maioria das leis que eles seguem uma vez no ano, mensalmente ou até diariamente

“O Monte do Templo é o lugar mais sagrado e há uma exigência de que todos os objetos ritualmente impuros sejam removidos o mais rápido possível”, continuou ele.

Meshi-Zahav disse que a decisão trouxe esperanças de redenção e que esperam que dando o devido respeito ao Monte do Templo apressem o Messias.

Ari Kahn, membro do Conselho e um dos principais líderes religiosos do assentamento Giv’at Ze’ev  destaca que é impressionante assistir aos rabinos tomando decisões que não são feitas há centenas e centenas de anos.

“Certamente, há algo interessante acontecendo aqui” disse.

Os primeiros Kohanim preparados para essa tarefa já estão sendo escolhidos. Os membros dessa equipe devem ser pessoas “religiosas, tementes a Deus e conhecedoras da lei judaica”, segundo o Conselho, e receberão além de treinamento religioso, treinamento de primeiros-socorros.

Cumprimento profético

Em entrevista ao Israel Breaking News, Yaakov Hayman lembrou que, segundo a tradição, essa situação que vivem hoje em relação ao Templo foi profetizada em Miquéias 3:12 e que o povo judeu deve lembrar que existem outras profecias sobre o local que ainda não se cumpriram.

Segundo Hayman, a mensagem das profecias é que se o povo judeu não tomar o controle do Templo, outras nações iriam profana-lo.

“É como um leão sendo incomodado por moscas. De vez em quando, ele pende a cauda, ​​mas não faz muito. Então ele rugiu e isso muda toda a imagem “, disse Hayman. “Estamos apenas esperando o rugido do leão de Judá, para dar a explosão que irá transformar tudo em seus calcanhares e indicar que a redenção está aqui”.

O anúncio ocorre numa época do ano significativa. Esta semana os judeus praticantes fazem lamentações pelo Tisha B’Av, data que, segundo a tradição, foram destruídos os dois primeiros templos: pelas mãos dos babilônicos no ano 586 a. C. e a destruição feitas pelos romanos no ano 70 d.C.

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