“Tudo coopera para o bem”, diz pastor de igreja destruída pelo Boko Haram

Perseguição contra igreja matou cerca de 200 pessoas, mas pastor permanece firme na fé mesmo sob ameaças de radicais islâmicos.

04-03-2017 | Atualizada em 04/03/2017 11:35

Pastor Aminu Sule

Pastor Aminu Sule sofre perseguição pelo grupo radical Boko Haram.

O reverendo Aminu Sule liderava uma igreja em uma aldeia de Dematuru, no estado de Yobe, na Nigéria, uma comunidade que foi destruído pelos soldados terroristas do Boko Haram.

O ataque aconteceu em novembro de 2011, várias igrejas foram incendiadas, e os soldados bateram nas casas dos cristãos e mataram muitas pessoas. O resultado desse ataque foi de cerca de 200 mortos.

Com medo de um novo ataque, muitas pessoas fugiram da aldeia, menos o pastor Sule que se recusou a deixar sua casa e família. “Muitos de nós fugiram, mas como pastor, eu não poderia fugir e abandonar os poucos que ficaram”, afirmou ele em entrevista ao Christian Today.

O reverendo sempre achou que fugir não era opção para um líder religioso que deveria ser o último a sair. “Se eu fugir e deixar a minha congregação, o que vou dizer a eles? Como eu poderia pregar sobre a dependência de Deus?”, questiona.

Ele optou em ficar e estava disposto a morrer por sua fé. “Eu disse para mim mesmo: ‘Viver é Cristo e o morrer é ganho’. Se eu morrer, será por causa da igreja”.

Foram poucos os cristãos que ficaram na aldeia, apenas três famílias continuaram a morar perto de Sule. Os filhos do pastor sofreram muito por conta do ataque, dois deles ficaram 15 dias sem conseguir comer de tanta tristeza.

“Mas eu os encorajei – mesmo sendo crianças – a saberem que Deus está no controle de todas as situações”, relata o religioso que enfrenta muitas dificuldades ao lado dos demais cristãos que se negaram a fugir do país.

Perseguição contra igrejas

O Boko Haram tem perseguido cristãos na Nigéria com a promessa de acabar com a religião naquele país. O novo líder do grupo terrorista, Abu Musab al-Barnawi, já prometeu atacar todos as igrejas que conseguir e matar todos os cidadãos que acreditam em Cristo.

Nos últimos oito anos mais de 20.000 pessoas foram mortas pelo grupo, além dos casos de escravidão, estupros e sequestros registrados principalmente na região norte do país.

Hoje a Nigéria ocupa a 12ª posição no relatório anual de perseguição religiosa organizado pelo ministério Portas Abertas. Os ataques do Boko Haram contribuem para o aumento registrado em todo o mundo de perseguição religiosa contra cristãos.

A 3ª edição do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo organizada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) aponta o crescimento de ataques contra cristãos. Segundo esse relatório há pelo menos 38 países que registraram graves violações da liberdade religiosa. Com informações Christian Today.

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