Pastor é denunciado ao Ministério Público por batizar índios

O pastor Isac Santos passou a receber criticas e ameaças nas redes sociais após compartilhar foto com índios.

05-09-2017 | Atualizada em 05/09/2017 20:10

Pastor Isac Santos com tribo de índios.

Pastor Isac Santos com tribo de índios.

Uma fotografia compartilhada pelo pastor Isac Santos, no Facebook, resultou em uma denúncia ao Ministério Público Federal.

A imagem publicada no dia 22 de agosto mostra o pastor com uma tribo de índios xavantes que vivem na cidade Água Boa, no Mato Grosso.

O pastor comemorava o fato de ter batizado 38 integrantes da aldeia, entre eles o cacique.

Porém passou a receber muitas críticas quando o site de esquerda Todas Fridas compartilhou a publicação fazendo um comentário negativo.

O site acusou o pastor de fazer “genocídio cultural” com as populações indígenas e reacendeu o debate sobre a evangelização de índios no Brasil.

A foto publicada pelo pastor recebeu mais de 16 mil reações e 10 mil compartilhamentos. A maior parte da repercussão foi negativa.

O líder da Igreja Tempo de Semear passou a receber ameaças. Ele explicou que conhece o cacique da aldeia há um ano e que tem boa relação com os índios xavantes.

“Eles eram convertidos ao cristianismo. Ao contrário do que os ignorantes pensam, na aldeia deles possui energia e televisão”, disse o pastor.

Isac também explicou que os índios daquela região são bem integrados a sociedade moderna e que além de possuírem conta no banco, também possuem título de eleitor.

“Além disso, os indígenas daquela região têm conta no banco, título de eleitor, Bolsa Família, falam português e fazem faculdade. Eles não ficam dançando ao redor do fogo o dia todo”, destacou.

O líder também criticou as pessoas que fazem ativismo no conforto de casa, chamando de “ativistas de teclado”.

“Fazer dos indígenas uma bandeira de ativismo é muito bizarro. Os tratam como bichos, como se fossem incapazes”, criticou.

Para o pastor a reação nas redes sociais é um desrespeito com os índios, pois as pessoas tratam como se eles não pudessem tomar as próprias decisões.

“Os indígenas dizem que podem tomar suas próprias decisões. Eles escolheram a nossa fé. Parece que é crime o fato de eles terem escolhido o cristianismo”, desabafou.

Sobre as ameaças que recebeu no Facebook o pastor afirmou que em uma democracia as pessoas tem liberdade de criticar, assim como ele tem sua liberdade religiosa

“No meu Facebook, comenta quem quer. Na minha caixa de mensagem há todo tipo de ameaça. Mas não é disso que se trata a democracia? Eles xingam quem eles querem, eu batizo quem quiser ser batizado”, asseverou.

Pastor denunciado

A denúncia contra o pastor no Ministério Público Federal foi feita pela pedagoga Juliani Caldeira.

Ela protocolou uma denúncia no MPF pedindo uma investigação contra o pastor e contra a vereadora Aninha Carvalho, da cidade de Trindade (GO).

A vereadora participa de trabalhos missionários voltados para índios em Areões e a denunciante não aceita que um representante do Estado participe de cerimonias religiosas.

“Sendo o Estado Laico e sendo a vereadora representante do povo no seu mandato, teria ela o consentimento para entrar em aldeias, levando a sua cultura para um grupo que já possui a sua própria?”, questionou a pedagoga.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) é responsável pelo controle de acesso dos missionários as tribos indígenas.

Somente o órgão ou lideranças das aldeias podem autorizar a entrada dos missionários, como o caso do pastor Isac.

A Funai afirma não ter recebido nenhuma denúncia contra o pastor de Água Boa. Com informações BBC

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