Muçulmanos marcham em Londres exigindo um califado

Foram ao menos três marchas de apoio a Síria, criticando a participação da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos na guerra contra o EI.

26-12-2016 | Atualizada em 26/12/2016 12:38

Muçulmanos fazem protesto em Londres.

Na semana passada muçulmanos foram à frente da embaixada síria em Londres, na Inglaterra, para clamar por um califado. Foram três dias de marcha, a maior delas aconteceu no dia 17 contando com cerca de 400 pessoas.

Os participantes dessa manifestação vieram de diversas partes da Grã-Bretanha, islâmicos que moram em cidades como Birmingham e Bradford.

Juntos eles proclamavam “Allahu Akbar” (Alá é maior), exibiam uma bandeira laranja que dizia “exércitos muçulmanos” e pedia um “khalifah rashidah” em Bilad a-Sham, uma área que cobre todo Israel, Síria, Jordânia e o Líbano.


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O termo “khalifah Rashidah” se refere aos califas Rashidun, os quatro primeiros califas que sucederam o profeta Maomé. Na visão deles, o mundo islâmico ressuscitará para criar um novo califado que dará o retorno de uma interpretação fundamentalista do Islã, rejeitando todas as atitudes modernas do ocidente.

A marcha também servia para protestar contra a participação da Inglaterra e dos Estados Unidos na guerra contra o Estado Islâmico no Oriente Médio e os culpavam pela atual situação da Síria.

Ocidente x Oriente

Uma pesquisa realizada na Grã-Bretanha há alguns anos indicava que 40% dos imigrantes muçulmanos eram a favor da implantação da sharia nas regiões onde eles moravam.

A sharia é a interpretação mais rigorosa do Alcorão, que chega a levar ações de extremismo como as realizadas por grupos como o Estado Islâmico (EI), no Oriente Médio, e o Boko Haram na Nigéria.

O apoio a leis como a sharia gera uma guerra entre Ocidente e Oriente, pois ideologias ocidentais – como o próprio cristianismo – são contrárias a tudo que a lei islâmica defende.

Esse conflito ideológico entre Oriente e Ocidente é uma das defesas do grupo Hizb ut-Tahrir (HT), um dos organizadores das marchas que foram realizadas em Londres. No protesto, eles chegaram a afirmar que a Grã-Bretanha lidera uma campanha contra os muçulmanos e ameaçam atacar os Estados Unidos.

Quando marchas como essa lutam por uma revolução e pedem um califado, mostram o desejo do grupo em rejeitar os valores liberais como secularismo, direitos humanos e pluralismo.

O grupo também protestou contra a guerra na Síria e no Iraque que tem conseguido derrotar o EI, tanto é que Aleppo é uma das últimas cidades tomadas pelos terroristas que o governo de Bashar al-Assad tem tentado conquistar, afastando os rebeldes para outras regiões. Com informações Express.

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