Filipinas convida igreja para campanha antidroga “menos sangrenta”

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, interrompeu a campanha antidroga que já matou mais de 7 mil pessoas entre usuários e traficantes.

09-03-2017 | Atualizada em 09/03/2017 08:58

Presidente Rodrigo Duterte

As autoridades das Filipinas criaram uma campanha “menos sangrenta” contra as drogas envolvendo representantes da Igreja Católica e outras religiões para participarem dessa “guerra”.

Segundo o chefe da polícia, Ronald dela Rosa, o objetivo é que o programa antidrogas não tenha mortes ou feridos. O projeto pede para que os agentes estejam acompanhados por representantes religiosos durante as operações do programa chamado de Tokhang. O principal objetivo será levar os usuários para reabilitar os usuários e a prisão dos narcotraficantes.

As Filipinas têm uma das políticas antidrogas mais pesadas do mundo, o programa mata em média 1.800 pessoas a cada 50 dias. Por lá, usuários e traficantes são condenados à morte.


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Colocar a igreja no meio desse programa pode melhorar a forma como a comunidade local e internacional enxerga as ações antidrogas do país.

“Desta maneira poderemos evitar as acusações de que o Tokhang está por trás dos assassinatos sem solução e nossa Igreja verá que a campanha está orientada a salvar os usuários e encarcerar os traficantes”, garantiu o diretor da polícia.

Um novo grupo será criado para substituir o grupo que até então atuava no controle de drogas. A troca se dá por conta de suspeitas de corrupção no Grupo Contra as Drogas Ilegais (AIDG). No lugar deles surgirá o Grupo de Controle de Drogas (DEG, na sigla em inglês).

“Vamos garantir que (os agentes do DEG) não possam abusar da guerra contra as drogas, porque endurecemos as políticas do Tokhang. (…) Não queremos que ninguém participe das operações sem a supervisão adequada”, garantiu dela Rosa.

Ainda segundo o diretor da polícia das Filipinas, os agentes que fizerem parte do DEG passarão por controles exaustivos para evitar que se repitam casos de corrupção como o assassinato do empresário sul-coreano Jee Ick-joo supostamente em uma ação de policiais do AIDG.

Por conta deste caso, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, suspendeu a campanha antidroga no final de janeiro e prometeu realizar uma “limpeza” na polícia nacional antes de retomá-la.

Dados oficiais divulgados pelo Terra, desde junho do ano passado a campanha, iniciada no mandato de Duterte, já deixou 7.080 mortos, dos quais 2.555 foram abatidos pela polícia após supostamente resistir à prisão, 3.603 estão classificados como “mortes sob investigação” e 922 foram casos encerrados sem identificar os culpados.

Por conta desses números, vários países e organizações internacionais criticaram o governo das Filipinas, considerando que a política antidrogas adotada por eles fere os direitos humanos da população.

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