Ex-traficante vira pastor e resgata pessoas da criminalidade

Conhecido como Junior do Gueto, ex-traficante vira pastor e hoje trabalha na evangelização de pessoas que estão envolvidas com a criminalidade.

09-08-2017 | Atualizada em 11/08/2017 18:27

Júlio Bomfim Santana de Jesus

Ex-traficante durante evangelização.

Júlio Bomfim Santana de Jesus, de 36 anos, liderou o tráfico de Simões filho, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia, ficando conhecido como Júnior do Gueto, hoje o ex-traficante virou pastor e tem se dedicado a pregar o Evangelho e resgatar pessoas do mundo do crime.

Com sonho de ser cantor, Júlio tentou bancar sua carreira com venda de drogas, mas na periferia da cidade seu sonho acabou se tornando sede por poder. Em entrevista ao site Correio, ele conta que um traficante patrocinou seu CD, e que chegou a se apresentar com vários artistas, mas não tinha paz, porque sabia que estava envolvido em algo errado.

Cantando raps de apologia ao crime e já descrente de que ganharia espaço no meio musical, Júnior do Gueto mergulhou no tráfico para ganhar dinheiro e pagar as rádios para tocarem sua música. “Quando entrei nesse negócio, terminei perdendo o foco da música”, conta.

Mesmo envolvido com o crime, Júlio tentou preservar alguns valores aprendidos com seus pais, colecionando mais um apelido: Robin Hood da Baixa da Fontinha.

“O dinheiro era amaldiçoado, mas eu ajudava muita gente. Às vezes, vinha dos assaltos e distribuía dinheiro. Eu doava cesta básica, botijão de gás. Era uma pessoa má, mas com um coração bom”, conta. Esse ‘bom coração’, diz, foi o que o manteve vivo até hoje.

Com medo de ser pego pela polícia, Júlio não pode ir ao velório de seu pai, considerado um ídolo para ele, seu Júlio Torrentino, que faleceu no dia 18 de Julho de 2013. Dona Eunice Souza Santana, mãe de Júlio, aproveitou a ocasião para incentivar o filho a mudar de vida.

Naquela manhã ele recebeu uma ligação da mãe, dizendo “meu filho, se você continuar nessa vida vai morrer, e se você morrer eu morro também” o que rasgou seu coração e o fez pensar, “não posso matar minha mãe de desgosto”, lembra.

O primeiro passo para deixar a criminalidade foi dado em uma igreja evangélica em Alagoinhas, Nordeste do estado.

Somente arrependimento não era suficiente, Júlio queria quitar seus débitos com a sociedade e exorcizar os demônios que tanto o atormentavam, então decidiu se entregar a polícia para voltar a ter paz.

“Quando eu ia dormir, chorava com saudades da liberdade que tinha. Queria poder ver meus filhos. Queria ter minha família de volta”, relata. Ao seguir para o presídio, superou ainda o medo de morrer dentro da cela por conta de uma guerra entre facções.

Júlio passou 11 meses recluso na penitenciária Lemos Brito, hoje não há mandados de prisão contra ele, é pastor na igreja Evangélica Shalom Adonai, refez sua vida e se mantém sólido no propósito de cantar.  “Hoje posso não ter riqueza, mas tenho paz. Sei que estou salvo.”

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