Estudo global mostra novo aumento da perseguição religiosa

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) divulgou a 3ª edição do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo que aponta o crescimento da perseguição.

20-11-2016 | Atualizada em 21/11/2016 15:04

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) divulgou o Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo com a análise de 196 países desde junho de 2014.  A 13ª edição do estudo apontou que dos países analisados pelo menos 38 experimentaram de forma inequívoca graves violações da liberdade religiosa. Além de grupos religiosos extremistas ou outras organizações privadas, há várias situações em que o próprio Estado promove a perseguição.

Grupos como o Estado Islâmico (EI), Boko Haram e Al-Qaeda, entre outros, promovem verdadeiro genocídio contra cristãos, principalmente em países do Oriente Médio. Ao redor do mundo, cerca de 530 grupos foram classificados como organizações terroristas por governos.

Os índices de dados de ataques de grupos extremistas aponta que o Boko Haram matou 6.444 pessoas em 2014. Já as ações do Estado Islâmico somam 6.073 mortos no mesmo ano. O levantamento é feito todos os anos desde 1970. A perseguição dos terroristas contra as minorias religiosas se converteu em assassinatos em massa, raptos, tortura, violações sexuais e destruição de locais de culto. A violência dos jihadistas também provoca o êxodo em massa de cristãos, yazidis, mandeanos e outras comunidades minoritárias.

Por outro lado, o relatório conclui que a comunidade religiosa que mais sofre perseguição ou discriminação no mundo é a de cristãos. O relatório também aponta o Iraque como um dos 23 países onde a perseguição religiosa atingiu seu nível máximo. Além da perseguição de religiosos extremistas, as localidades onde a perseguição é promovida pelo próprio Estado, como Mianmar, por exemplo, onde 66 igrejas foram destruídas pelo exército local desde 2011.

A Coreia do Norte também é um exemplo de localidade onde a perseguição religiosa é promovida pelo próprio Estado. Estudos recentes apontaram que ao menos 75% dos cristãos não sobrevivem à perseguição do regime comunista. A ditadura comunista comandada por Kim Jong-un tem promovido estupros, torturas, trabalho forçado e execução de cristãos por causa da sua fé.

John Pontifex, editor chefe do Relatório de Liberdade Religiosa no Mundo, afirma que, de modo geral, os governos são os maiores responsáveis pelas violações da liberdade religiosa. Porém, o editor chefe afirma que nos últimos anos fatores não-estatais tem influenciado a escalada de problemas, principalmente por parte de extremistas islâmicos. “Atos de genocídio contra grupos minoritários foram cometidos pelos extremistas islâmicos na Síria, no Iraque e na Nigéria”, afirma Pontifex.

A atual crise migratória no mundo também tem como principal fator a intolerância religiosa, segundo o estudo. Os países que mais tem gerado refugiados, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), são dominados principalmente pelo extremismo. Em consequência muitas pessoas tem deixado seus países por causa da perseguição.

O estudo apontou que muitas pessoas fogem da violência, instabilidade política e pobreza, “dos quais o extremismo religioso foi causa, sintoma ou consequência; ou os três em simultâneo”, aponta o estudo. O estudo pode ser lido na íntegra – em português – no site oficial.

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