Crianças cristãs são espancadas e expulsas da escola por não recitarem o Alcorão

Alunos cristãos que frequentam as escolas públicas do Egito estão sendo obrigados a recitar o Alcorão, sob pena de perderem o acesso à educação do país.

10-11-2016 | Atualizada em 10/11/2016 13:46

Estudante em escola do Egito usando a hijab.

Aproximadamente 90% da população do Egito é da seita sunita do Islã, enquanto que os cristãos coptas, egípcios cujos ancestrais abraçaram o cristianismo no século I, representam menos de 9% da população. Isso tem levado a perseguição contra essa minoria a se intensificar nas escolas egípcias.

Alunos cristãos que frequentam as escolas públicas do Egito estão sendo obrigados a recitar o Alcorão, sob pena de perderem o acesso à educação do país. As meninas são obrigadas a usar o hijab, lenço que cobre toda a cabeça e algumas crianças chegam a ser agredidas caso não concordem em seguir as regras impostas pelo Islã.

Os casos ocorrem com o consentimento do governo, que ignora as ações de discriminação que as minorias sofrem. Os alunos não muçulmanos podem, inclusive, serem expulsos das escolas se não concordarem com as doutrinas islâmicas. Os que mais sofrem com a perseguição são os cristãos coptas.


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“Fui obrigada a ficar sozinha no pátio da escola. A diretora mais tarde veio até mim e disse: ‘Aqui na escola, você coloca o lenço. Lá fora, faça o que quiser. Nenhuma menina pode mostrar seu cabelo. Todas têm que usar o hijab”, contou Rahman Salem, de 12 anos, que foi expulsa da sala de aula em Delta, no norte do Egito.

Apesar das leis do país garantir a proteção dos estudantes cristãos, com a promessa de que eles tem direito a uma sala de aula diferente durante aulas de estudos religiosos, Viola Samir, de 7 anos, afirma que o seu professor de estudos religiosos islâmicos agrediu oito alunos cristãos que não sabiam recitar o Alcorão.

“Quando minha filha disse ao professor que os textos que ele exigia não faziam parte do currículo, foi severamente punida por ele. Ao saber o que estava acontecendo, o professor de estudos religiosos cristãos queixou-se ao diretor, mas ele não tomou ação disciplinar contra o professor muçulmano”, disse o pai de Viola.

Os cristãos coptas passaram a ser perseguidos no país após a chamada Primavera Árabe, pois até então tinham um bom convívio com os muçulmanos. Porém, a perseguição tem se intensificado no país, causando preocupação para os fiéis. Diversas escolas do país tem decretado como obrigatório o uso de indumentárias tipicamente islâmicas.

Em Sharquia, província do Egito, a escola al-Nassiriya decretou que todas as meninas passassem a usar, obrigatoriamente, a hijab islâmica. O diretor da escola afixou um cartaz que afirma que a indumentária passa a ser parte obrigatória do uniforme das meninas. A aluna que não estiver usando a hijab poderá ser expulsa da instituição de ensino.

Em Samalout, cidade próxima da capital Cairo, um pai relatou que o filho de 11 anos tem recebido tratamento humilhante por não saber recitar versos do Alcorão. O menino teria sido forçado a ficar no “canto do castigo”, com o rosto voltado para a parece e com os dois braços abertos, em uma posição que lembra a crucificação de Jesus Cristo. Com informações Christian Daily.

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